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11 Junho, 2019 hélio cabral | marketeer

Como estimular a criatividade

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Não vou falar de estratégia, mas de algo que influencia diretamente ao seu sucesso e é um tema quente da atualidade, a Criatividade.

A criatividade sempre existiu, mas nunca se falou tanto na criatividade como diferencial competitivo e diferenciador no mercado, principalmente porque não havia essa necessidade, face ao menor número de concorrência e todo este poder da autoestrada da informação digital atual.

Assim como todos nascemos com as mesmas capacidades de fazer acontecer, felizmente também nascemos criativos, mas infelizmente os contextos profissionais levam-nos a “boicotar” a nossa criatividade, muitas vezes para as respostas mais óbvias.

É através da criação que evoluímos e a Criatividade não é nada mais do que:

  • Encontrar uma solução para um problema.
  • Descobrir maneiras diferentes de fazer a mesma coisa.
  • Inventar um novo uso para algo já existente.
  • Produzir mais usando menos recursos financeiros, de energia ou tempo.

 

A criatividade é uma das coisas que nos separa ou distingue das “máquinas” e por isso devemos investir o nosso tempo em melhorá-la:

As máquinas conseguem realizar as coisas lógicas, como processamento de dados, entre muitas outras coisas.
Mas não conseguem ter paixão, onde predominam os sentimentos e as emoções, que considero cruciais também no processo criativo.

E é aqui que devemos apostar, pois a próxima década será com certeza a mais disruptiva das nossas vidas, com os desafios e oportunidades inerentes à Inteligência Artificial.

 

É fácil conseguir alcançar a criatividade necessária no nosso dia-a-dia no trabalho?

O mercado de trabalho é cada vez mais exigente, com prazos apertados, uma grande pressão, falta de tempo para pensar durante o período normal de trabalho, o que gera enormes barreiras para que seja possível demonstrar muitas vezes, as nossas verdadeiras capacidades criativas.

Felizmente quem trabalha por conta própria como eu, tem aqui uma grande vantagem, não estar confinado a quatro paredes e ter a liberdade de escolher trabalhar onde se sente melhor e possa ser mais criativo e produtivo.

 

Quando falamos de criatividade no trabalho, segundo o Duncan Wardle, ex-vice-presidente de Criatividade e Inovação da Disney, as “As melhores ideias nunca surgem no local de trabalho”. A falta de tempo para pensar e um ambiente de trabalho pouco propício a boas ideias são os maiores entraves à inovação.

 

Desafio a fazerem o seguinte exercício:

Se nos questionarmos acerca de onde temos as melhores ideias, as respostas serão em casa, no ginásio, no duche… mas ninguém menciona o local de trabalho. E isso é um problema.

Quando temos uma discussão, muitas vezes não conseguimos dizer o que gostaríamos. E, quando já estamos relaxados, pensamos: deveria ter dito isto!

O mesmo acontece no trabalho: o nosso cérebro está demasiado ocupado com e-mails, reuniões e agendas. E falta-nos o tempo para pensar. E só quando temos “liberdade” é que conseguimos ter as melhores ideias.

Partilho convosco de forma bem resumida a história do processo criativo para uma empresa de seguros que se transformou num enorme sucesso, que considero inspiradora e tão atual:

Uma agência é contactada para promover a sua empresa que vendia seguros a pessoas com cancro, a Aflac.
A empresa já fazia anúncios há mais de 10 anos e tinha investido bastante dinheiro, sem obter os resultados que pretendia.

Num setor difícil e nada atraente, o desafio era alcançar a tão desejada notoriedade e quebrar esse paradigma da forma como os seguros eram vistos.

O que o dono da empresa de seguros desejava que os anúncios comunicassem? “Apenas” que as pessoas se lembrassem do nome da sua empresa e não havia limites à criatividade. A agência estava por sua conta e risco para garantir a realização do trabalho.

Tinham seis semanas para executar a tarefa. Poucos dias antes do prazo acabar, os criativos da agência estavam convencidos que ainda não tinham alcançado que desejado.

Um dos membros da equipa sai do local de trabalho, vai “dar uma volta ao quarteirão”, ao mesmo tempo que se questiona “porquê entre tantos outros nomes, as pessoas se deveriam lembrar-se de “Aflac”?
Em frente a uma loja e em voz bem alta diz repetidamente o nome “Aflac”. Deu-se conta que parecia um pato. Corre para o escritório e escreve a história do primeiro spot comercial, que se chamava “Banco no Parque” (reparem que em 1999 já estávamos a falar de contar histórias – o storytelling):

Dois homens de negócios sentados no banco de um parque.
Durante o almoço, atirando migalhas de pão para um bando de patos.
Passa uma pessoa de bicicleta. De seguida houve-se um grande estrondo e vê-se a bicicleta caída à distância.
Primeiro homem: rapaz, quando me aleijo e falto ao trabalho, felizmente tenho um seguro suplementar.
Segundo homem: Seguro complementar? O que é isso?
Um dos patos: Aflac.
Primeiro homem: Bem, nem mesmo o melhor seguro oferece cobertura para coisas como a perda salarial e outras despesas. Este oferece.
Segundo homem: Este qual?
Pato: Aflac!

.

.

.

 

A ideia não foi apreciada nem compreendida por todos. Foi inclusive motivo de algum gozo.
Felizmente a ideia não se ficou só pela ideia, avançou e cresceu.
Em 31 de dezembro de 1999, o spot publicitário foi para o ar pela primeira vez.

Em seis dias, a Aflac teve mais acessos ao site do que em todo o ano anterior.
. O aumento anual das vendas que oscilava entre os 12 e 15%, foi de 28 e 29% em 2000 e 2001, respetivamente.

. Desde que a campanha teve início, as vendas aumentaram de 55%.

. Celebridades, palavras-cruzadas nos jornais, etc… muitas foram as coisas feitas em torno do “pato Aflac”.

 . O “pato Aflac” tornou-se um ícone popular. 91% dos Americanos reconheciam o nome.

 

Havia um milhão de razões para não usarem o pato. Ele associava humor num problema mortal. Não era convencional. Era simplório. Nascia de uma coincidência: o nome da empresa rima com “quack”. Era uma solução de último de último recurso. Mesmo assim arriscaram e a marca Aflac tornou-se uma marca célebre.

 

“If you’re not prepared to be wrong, you’ll never come up with anything original.” – Ken Robinson

 

 As minhas sugestões de como estimular / aumentar a criatividade:

. Quantos pensamentos temos por dia? Estudos indicam cerca de 60.000 mil. Por isso, utilizar a Imaginação (acreditem quando digo que estou muitas vezes noutro planeta) como apoio no processo criativo. Através da imaginação surge o pensamento criativo;

. Leitura o mais frequente possível. Não ler não apenas livros mais técnicos ou específicos de determinada área, mas todos os que possam estimular o nosso lado criativo;

. Ver filmes, séries, ouvir música, observar e falar com pessoas ou qualquer outra atividade de pesquisa é importante para gerar boas ideias;

. Sair da rotina. Visitar novos locais, ver novas gentes, tirar muitas fotografias ou fazer vídeos. Quando estou cansado de estar em frente ao pc, paro e dedico-me a olhar para as fotografias ou vídeos que tiro e imagino. Dai surgem ideias que vou anotando e organizando, adaptando a cada cliente ou a mim próprio;

. Conhecer diferentes setores de atividade, através da leitura de notícias, visitar feiras ou ir a eventos. E não só investir no que diz respeito à nossa área de atuação. Se apenas consumirmos conteúdos de um mesmo assunto, as nossas ideias serão sempre as mesmas;

. Análise e leitura dos eventos mais mediáticos que acontecem no dia-a-dia e adaptá-los;

. Escrita diária. É algo que faço e não prescindo. Tenho folhas sempre à mão, para escrever coisas que me vêem à cabeça, tópicos, ideias, pequenos textos que posteriormente desenvolvo;

. Olhar para “os problemas” de forma diferente. Há sempre um outro lado para ser explorado. Este é um grande desafio, mas fundamental;

. Modelo “CREATES” para aumentar a criatividade: A neurocientista Dra. Shelley Carson, descreveu em seu livro, “O cérebro criativo”, os 7 padrões cerebrais relacionados à criatividade, que ela nomeou como CREATES;

. A Necessidade é muitas vezes a Mãe da Criatividade!

Já estamos ligados?
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